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Sindicato

Metalúrgicos da CUT: campanha salarial segue

Campanha foi longa em SP, mas houve avanço em cláusulas sociais nas convenções coletivas. Já em MG, propostas patronais ainda são muito abaixo do reivindicado pela categoria.

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Metalúrgicos de Minas Gerais no primeiro ato da campanha salarial de 2015

Quase um mês depois da data-base, os metalúrgicos cutistas de São Paulo estão encerrando a Campanha Salarial de 2015, garantindo reajuste salarial e renovação das cláusulas sociais em praticamente todos os segmentos que compõem o ramo no Estado. Enquanto isso, em Minas Gerais a negociação está longe de ser encerrada, já que a proposta da bancada patronal ainda está bem abaixo do índice da inflação do período. A data-base dos metalúrgicos mineiros é 1º de outubro.

São Paulo Na manhã desta sexta-feira (23), a Federação dos Metalúrgicos da CUT de São Paulo (FEM-CUT/SP) fechou a campanha para os metalúrgicos que trabalham nas empresas do Grupo 2 (máquinas e eletroeletrônicos), forjaria e parafusos. A assinatura da convenção coletiva de trabalho aconteceu na sede da entidade, em São Bernardo do Campo (SP).

“A campanha foi extremamente difícil e bem diferente dos anos anteriores, na qual tínhamos um cenário político e econômico melhor. A campanha caminha para o seu final, mas é importante destacar a unidade dos sindicatos e a luta dos trabalhadores nessas negociações”, afirmou o presidente da FEM-CUT/SP, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão.

O reajuste salarial é de 9,88% (reposição integral da inflação do período da data-base da categoria, 1º de setembro) que será pago em duas parcelas: 7,88% retroativo a 1º de setembro e 2% em fevereiro do ano que vem.

Na última quarta-feira (21), a FEM-CUT/SP também encerrou a campanha salarial para os trabalhadores na Estamparia e no Grupo 8 (laminação de metais ferrosos, refrigeração, equipamentos ferroviários, rodoviários entre outros), com o mesmo reajuste salarial do Grupo 2.

Mas em relação aos direitos sociais, os trabalhadores em estamparia e no Grupo 8 conquistaram importantes avanços, como a valorização dos jovens (por meio de plano de carreira), bem como melhorias na segurança do trabalho, destacando o papel do cipeiro e a cláusula que prevê de ampliação de postos de trabalho para mulheres.

“Conquistamos avanços em cláusulas que não tinham alteração há 20 anos. É o caso da cláusula do dirigente sindical não afastado das suas funções, que antes tinha 12 dias por ano para participar de atividades sindicais. Agora, ele terá 15 dias por ano, sem prejuízo no salário, na PLR (Participação nos Lucros e Resultados), nas férias e 13º”, explicou o presidente da FEM-CUT/SP.

Outro avanço nesta cláusula é que se o dirigente sindical de base também representar a FEM ou a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT) terá o direito de se afastar do trabalho por mais 15 dias, sem prejuízo na remuneração.

Nos próximos dias, deverão ser assinadas as convenções com os grupos de Fundição e G10 (que reúne lâmpadas, equipamentos odontológicos, iluminação, material bélico entre outros).

Já os sindicatos patronais dos setores de autopeças (Sindipeças), da indústria de trefilação, laminação de metais ferrosos (Sicetel) e de condutores elétricos, trefilação e laminação de metais não ferrosos (Sindicel) foram os únicos que não apresentaram contrapropostas aceitáveis, ficando bem abaixo da reposição do INPC nos salários.

No caso do setor de autopeças, os sindicatos estão negociando por empresa, buscando reajustes melhores.

Minas Gerais Já em Minas Gerais, nesta quinta-feira (22), houve mais uma rodada de negociação com a Federação Estadual das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), mas sem avanços.

"As mobilizações estão complicadas, porque muitas demissões estão acontecendo no Estado", avalou o presidente da Federação dos Metalúrgicos da CUT/MG, José Wagner Morais de Oliveira.

Segundo ele, a proposta da bancada patronal foi de 5,5% para empresas com até 50 trabalhadores e seria pago em três parcelas (3,5% em outubro; 1% em fevereiro e % em maio de 2016). Para empresas com mais de 50 trabalhadores foi oferecido 6% de reajuste, sendo 4% em outubro, 1% em fevereiro e 1% em maio de 2016. Já os pisos salariais seriam reajustados em 4% para outubro, 1% em fevereiro e 1% em maio do ano que vem.

“Os patrões insistem em não valorizar os metalúrgicos. Em todas a negociações eles apresentaram uma proposta de reajuste salarial que diminui o poder de compra dos trabalhadores. Para nós, isso é inaceitável”, disse Oliveira.

A categoria reivindica reajuste de 11,5% (9,89% de reposição da inflação mais e 1,16% de aumento real) e a pauta mínima do Contrato Coletivo Nacional de Trabalho (CCNT), que inclui itens que contemplam a saúde e a segurança do trabalhador, creche, demissões, acesso ao local de trabalho e redução de jornada.

No próximo dia 3, será realizada uma plenária na sede da Federação, em Belo Horizonte, para definir uma nova estratégia de campanha. A próxima rodada de negociação está agendada para o dia seguinte, às 10 horas.

A FEM-CUT/MG representa quase 150 mil trabalhadores e conduz a Campanha Salarial, ao lado das duas outras federações estaduais da categoria (ligadas à Força Sindical e à Central dos Trabalhadores do Brasil), que juntas representam outros 100 mil metalúrgicos.

Fonte: CNM/CUT