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Coletivo de Mulheres

Coletivo de Mulheres da CUT/MG articula ações imediatas 27/09/2012 Militantes e dirigentes debatem questões como paridade, combate à violência, formação, autonomia e integração de movimentos que organizam as lutas das mulheres   Promover o debate sobre paridade de gênero em todos espaços de atuação, igualdade de oportunidades e salários, acesso a creche integral, ratificação da Convenção 156 da OIT, combate à violência com a criação de mais delegacias especializadas no Estado, formação, integração de todos os movimentos em defesa da organização das mulheres em Minas Gerais. Estes e outros temas e demandas foram debatidos nesta quinta-feira (27) na reunião que rearticulou o Coletivo de Mulheres Trabalhadoras da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG). A atividade, coordenada pela secretária de Mulheres da Central, Elza Ilza Simões, foi realizada no auditório do Sindieletro-MG, em Belo Horizonte. Em sua fala, a presidenta da CUT/MG, Beatriz Cerqueira, acentuou a importância da rearticulação do Coletivo de Mulheres já que uma das resoluções do 11º Concut foi paridade na representação dos gêneros na CUT Nacional e nasCUTs estaduais. “É preciso colocar como pauta prioritária a autonomia da mulher, dentro do processo de formação educacional e da unificação nas frentes de lutas de todos os ramos. E o ato público conjunto, em que se uniram as diversas categorias e os movimentos sociais ontem (quarta-feira), na Praça Sete, demonstrou que, a partir da unidade, vamos fortalecer nossas lutas em Minas Gerais.” Elza Ilza Simões disse que a rearticulação do Coletivo de Mulheres Trabalhadoras vai contribuir para a Secretaria de Mulheres concretizar as ações e demandas levantadas na reunião desta quarta-feira. “Nosso objetivo é implantar o Coletivo, secretarias ou departamentos de mulheres nas federações e sindicatos CUTistas e nas CUTs regionais. Precisamos envolver todas as mulheres da base CUTista no Coletivo. Vamos trabalhar a formação de novas lideranças e debater a paridade.” Com relação à violência contra as mulheres, Elza Ilza defendeu a criação de ações constantes e efetivas, para que o tema não fique restrito a datas como o dia 8 de março e o dia 25 de novembro. “Um dos mecanismos para isso é o debate sobre políticas que garantam a autonomia das mulheres, que deem a todas nós condições de geração de renda própria. A autonomia passa por políticas de desenvolvimentoe políticas públicas, como creche em tempo integral, no campo e na cidade, qualificação, tanto para política sindical quanto nas questões profissionais e fortalecer parcerias com os movimentos que trabalham em defesa da organização das mulheres em Minas Gerais.” Para Rafaella Mendes, do Movimento Olga Benário, é necessário dar mais visibilidade ao combate à violência contra a mulher. Segundo Rafaella, apesar de a Lei Maria da Penha ter sido criada há mais de dez anos, neste período aumentou em mais de 20% o registro de ocorrências de agressões e assassinatos de mulheres no Brasil. “O índice de estupros cresceu em mais de 200% em Belo Horizonte e, tenho certeza, os números são ainda maiores. Precisamos de ações em conjunto, unificar o combate à violência, pois o Brasil está anos luz de proteger de fato as mulheres. A lei e as medidas protetivas não surtem efeito. Precisamos construir um mês inteiro de ações de combate à violência contra as mulheres.” A representante do Movimento Olga Benário avaliou como fundamental mostrar às mulheresque, sem a participação delas, nenhuma luta da classe trabalhadora será vitoriosa. “Somos maioria na sociedade e em muitas categorias, mas somos penalizadas como trabalhadoras e como mulheres. Se nós não nos envolvemos com as lutas da classe trabalhadora, elas não serão vitoriosas. Queremos ser protagonistas de uma classe que vai dominar a sociedade.” Maria Beatriz Oliveira, coordenadora de Projetos do Centro da Mulher do GRAAL Movimento de Mulheres do Brasil, considerou a rearticulação do Coletivo essencial para a luta pela igualdade de gênero. “Nós mulheres temos que deixar de sempre pagar a conta. Somos responsabilizadas de tudo que não dá certo. Se cresce a violência entre os jovens, a culpa é da mulher que foi trabalhar e abandonou a educação dos filhos. Os problemas são da sociedade, todos têm que pagar a conta, não apenas as mulheres. Para mim, a rearticulação do Coletivo de Mulheres da CUT/MG é uma porta que se abre para o debate e para que possamos avançar em nossas demandas.” Maria Luiza da Costa, assessora da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT Nacional, defendeu a aprovação da Convenção 156 da OIT e apoiou o debate sobre a PEC do Trabalho Doméstico e a creche em tempo integral, sem interrupção de férias. “A paridade não é apenas uma questão de números. Não basta ter a quantidade de homens e mulheres. Tem que levar em consideração a representação política. As mulheres têm que ocupar também cargos de direção. Também precisamos trabalhar para despertar o interesse das mulheres para categorias em que os homens sejam maioria, como os metalúrgicos. Atualmente, as mulheres ainda ocupam nichos de trabalho em que os salários são piores.” Lourdes Aparecida de Jesus Vasconcelos, secretária de Políticas Sociais da CUT/MG, coordenou a reunião no período da tarde, quando, a partir de uma dinâmica de grupo e um debate foram definidos encaminhamentos para o Coletivo de Mulheres Trabalhadoras da Central. O Coletivo se reunirá a cada quatro meses, podendo antecipar o encontro para tratar de demandas urgentes, e vai articular um grande encontro em 2013; serão acionados os meios políticos e oficiais para que as Delegacias de Mulheres atendam em tempo integral; e vai ser feito um levantamento de todas as entidades sindicais que tenham secretarias, diretorias ou departamentos voltados para a luta das mulheres Fonte: CUT/MG