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Trem da Formação CUT

Em carta, trabalhadores afirmam: o lugar de transformações, de resistência e de sonhos é a formação

A formação sindical CUTista é como o lugar de transformações, de resistência e de sonhos, diz trecho da Carta de Belo Horizonte escrita e aprovada no último dia da na 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, na sexta-feira (31).

Os trabalhadores e as trabalhadoras de todas as regiões do país, educadores militantes da Rede de Formação da CUT, dirigentes sindicais da CUT Nacional, dos Ramos, das CUTs Estaduais e das Escolas Sindicais reunidos em Belo Horizonte, entre os dias 27 e 31 de maio de 2019. Eles aprovaram a carta de compromissos, que descreveu todo o processo da Conferência, apontou caminhos para a Política Nacional de Formação (PNF) e afirmou que “a formação CUTista é a tradução da estratégia da Central nas suas diversas dimensões, e precisa estar intimamente ligada com o fortalecimento do projeto político e organizativo da CUT”.

Ao todo foram mais de 7.000 pessoas debatendo, refletindo e formulando proposições para o que deve ser a formação CUTista nos tempos de golpe. Foram realizadas 220 conferências locais, 27 conferências estaduais, 6 conferências regionais e 5 conferências temáticas nacionais até a etapa nacional. “Foi um caminho longo, que percorreu as cidades, o campo, os rios, as florestas; do chão de fábrica aos acampamentos”, disse outro trecho do documento.

Durante os cinco dias da 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, os cerca de 500 trabalhadores e trabalhadoras de todo país discutiram quatro grandes temas: o Futuro do Trabalho, a Luta por Direitos, a Transição Justa e Rumo ao Socialismo.

“Foi muito bom discutirmos estes temas que parecem tão distantes e ao mesmo tão perto. O que fazer com nossa base, a retomada da classe trabalhadora e a valorização da organização dos trabalhadores no meio da competição entre a inteligência artificial com os processos mecanizados e como humanizar as relações de trabalho neste novo tempo?”, questionou Erivanio da Silva, do Sindsaúde de Goiânia.

Para Luana, dos bancários de Alagoas, a Conferência foi ótima também para interagir com as ideias e conhecer as conjunturas locais de cada um. “A troca de experiências entre sindicatos foi bastante produtiva e bem especial pela capacidade de conhecimento entre nós”, disse a nordestina.

Para servidora pública do Mato Grosso, Lindimere, está conferência foi um momento impar para transversalizar vários temas. “Discutimos temas importantes sobre a transversalidade, como a Indústria 4.0, seus impactos e reordenamento no mundo do trabalho e com a participação de outros sindicatos do mundo para nos inspirar para estes novos desafios”, afirmou.

Para o servidor público com deficiência de Santa Catarina, Erivaldo Ribeiro, a 4ª Conferência veio ao encontro dos anseios do coletivo de trabalhadores e de trabalhadoras com deficiência no âmbito estadual e nacional.

“Precisamos de mais ação para lutar para que nossos direitos sejam respeitados e para essa ação acontecer precisa de formação dessa qualidade da Conferência”, afirmou Erivaldo.

A Carta de Belo Horizonte destacou as místicas culturais que fizeram parte da Conferência e que devem ser mantidas nos encontros de formação CUTista para que a ação sindical mantenha os militantes e os trabalhadores e as trabalhadoras apaixonadas pela luta com o povo e para o Povo. O documento também lembra os princípios da CUT e aponta para o caminho que a CUT precisa trilhar.

“O atual momento conjuntural brasileiro nos exige aprimorar a capacidade de refletir sobre a realidade ao mesmo tempo em que atuamos para transformá-la. A formação, dessa forma, é muito mais do que um processo de reflexão e elaboração política, mas – sobretudo – um instrumento da luta dos trabalhadores que nos permitirá avançar na luta de classes”, diz trecho final da Carta de Belo Horizonte.

Leia a Carta de Belo Horizonte na íntegra:

CARTA DE BELO HORIZONTE

Reunidos em Belo Horizonte/MG, entre os dias 27 e 31 de maio de 2019, na 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, educadores militantes da Rede de Formação da CUT de todo o país, dirigentes sindicais da CUT Nacional, dos Ramos, das CUTs Estaduais e das Escolas Sindicais, reafirmam a formação sindical CUTista como o lugar de transformações, de resistência e de sonhos.

 A 4ª Conferência não inicia e nem se finda nesses dias ensolarados de Minas Gerais. Para chegarmos até aqui trilhamos um caminho longo e intenso que percorreu as cidades, o campo, os rios, as florestas; do chão de fábrica aos acampamentos; muitas atividades precedentes, que fizeram com que essa Conferência fosse uma construção de baixo para cima, envolvendo na sua construção diversos setores, coletivos, ramos e sindicatos.

Ao todo foram mais de 7.000 pessoas debatendo, refletindo e formulando proposições para o que deve ser a formação CUTista nos tempos de golpe. Foram realizadas 220 conferências locais, 27 conferências estaduais, 6 conferências regionais e 5 conferências temáticas nacionais.

A mística, a chama que mantém viva dentro de cada um/a de nós a esperança e o sonho pela liberdade e pela felicidade em busca de outro mundo possível, foi o fio condutor de todos esses encontros. Por meio da poesia, da música, das cirandas e da recuperação da memória da resistência da classe trabalhadora, a mística consolida-se como uma prática que deve ser mantida e cuidada com zelo e dedicação em nosso processo formativo e em nossa ação sindical para nos manter apaixonados pela luta com o povo e para o povo.

A 4ª Conferência Nacional de Formação tratou de quatro grandes temas: a) Futuro do Trabalho, na perspectiva de pensar a nova classe trabalhadora e os desafios à sua representação, que  partem por um profundo entendimento acerca das transformações em curso e que alteram, radicalmente, as relações de trabalho; b) Luta por Direitos, no entendimento de que nossos direitos, para seguirem assegurados, necessitam estar articulados na defesa intransigente da democracia brasileira; c) Transição Justa, na defesa de um modelo desenvolvimento sustentável, da democratização do acesso à terra e a busca por trabalho decente em um contexto de transição da matriz energética mundial rumo a uma economia mais sustentável; e) Rumo ao Socialismo, a partir da compreensão de que a sociedade que queremos – pautada na solidariedade e na igualdade – é incompatível com o modelo capitalista, que tem como motor de sua reprodução a exploração do trabalho e o aumento do lucro privado.

O que construímos até aqui representa muito mais do que o acúmulo dos 500 delegados presentes nesse encontro. No processo de construção das etapas que precederam à Etapa Nacional da 4ª Conferência, contribuímos para fazer acontecer, na prática, nossos princípios CUTistas. Assim, as conferências locais que nos fizeram chegar até aqui foram exercícios formativos, nos quais reafirmamos a democracia participativa e a pluralidade política, aliada a uma pedagogia do trabalho, na qual arregaçamos as mangas e pegamos uns nas mãos dos outros para fazer acontecer um sonho que nenhuma restrição política ou orçamentária poderia frear.

Nessa 4ª Conferência Nacional de Formação reafirmamos os princípios da formação da CUT. Assim, embora estejamos em sintonia e empenhados/as na atualização dos conteúdos dos cursos de formação e na agregação de novos temas de debates no nosso Plano Nacional de Formação, tudo isso precisa ser feito reafirmando nossos princípios da formação, quais sejam: a) Democrática, Plural e Unitária; b) Classista e de Massas; c) Indelegabilidade; d) Instrumento de Reflexão Crítica e de Libertação; e) Contra as discriminações; f) Integralidade do Ser Humano; g) Unificada e Descentralizada e h) Dimensões Política, Ideológica e Técnica. Tudo isso em consonância com os princípios que regem a nossa Central, presentes na tradição que nos originou, hoje denominada de “Novo Sindicalismo”.

Assim, reafirmamos que a formação sindical não é um apêndice e nem se relaciona de forma parcelar com o restante da Central. A formação CUTista é a tradução da estratégia da Central nas suas diversas dimensões, e precisa estar intimamente ligada com o fortalecimento do projeto político e organizativo da CUT. Nesse sentido, nossa formação precisa atuar em frentes estratégicas de formação de massas, formação de base, formação intermediária e formação de quadros, contribuindo para a ampliação da consciência política dos sujeitos e para a condução do nosso projeto político e organizativo.

         A caminhada até a Etapa Nacional da 4ª Conferência somente foi possível com a qualidade e a pluralidade expressas nesse processo porque atuamos em REDE. O modelo organizativo do qual somos herdeiros – a Rede Nacional de Formação – foi o que nos possibilitou ter capilaridade para estarmos presente em todas as regiões e estados do Brasil. Nossa Rede, no entanto, para dar consequência aos desafios traçados na Conferência, precisa ser ainda mais fortalecida, contando com a solidariedade e com o compromisso da CUT como um todo. Fortalecer as Escolas Sindicais é tarefa fundamental para construção dessa Política de Formação que deve dialogar com as especificidades e diversidades presentes nesse país de dimensões continentais. 

          A CUT nasceu ousando romper com o autoritarismo e com a opressão imposta à classe trabalhadora; nasceu da coragem dos homens e das mulheres que dedicaram sua vida e sua luta à construção de um projeto coletivo e de classe que fosse capaz de ao mesmo tempo em que organizasse os/as trabalhadores/as para lutar e reivindicar direitos; também fosse um espaço de sonhar com a sociedade socialista.

Nossa história aponta para o caminho que precisamos trilhar, o caminho do fortalecimento e da construção da CUT que queremos e que precisamos. A CUT que queremos é uma Central cada vez mais enraizada nos locais de trabalho; cada vez mais plural, na qual caibam os homens e as mulheres de todas as regiões do país, do campo e da cidade, de todas as cores, credos, orientação sexual, gerações, identidade de gênero e pessoas com deficiência. A CUT que queremos compreende as atuais transformações nas relações de trabalho e busca incluir todos os trabalhadores e trabalhadoras, especialmente os mais precarizados e explorados que não estão inseridos no atual modelo de organização sindical no país.

A CUT que queremos é maior do que as amarras que o sistema capitalista tentar impor aos/às trabalhadores/as. Nessa CUT, cabem todos os sonhos e todas as nossas lutas; cabe a nossa coragem; cabe a memória dos que tombaram na luta pela classe trabalhadora; cabe todos os sotaques e todas as cores; e também cabe nossos anseios e nossos medos, porque somos humanos, sentimos dores, mas somos feitos de solidariedade e de coragem suficientes para fazer o trem da história que está em movimento.

A 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT reafirma: estamos do lado certo da história; do lado dos/as trabalhadores/as que lutam em defesa da educação pública e de qualidade; dos/as que lutam contra a Reforma da Previdência, que está assentada na redução de direitos e na privatização da seguridade social; dos/as que lutam em defesa da Amazônia e dos povos da floresta; dos/as que reivindicam a memória e as contribuições de Chico Mendes e Paulo Freire para a luta do povo brasileiro e dos/as que lutam por Lula Livre, contra a injustiça e em defesa da democracia.

E, por isso, reafirmamos que nossa maior escola de formação é a luta política e a formação deve estar articulada com a ação. O atual momento conjuntural brasileiro nos exige aprimorar a capacidade de refletir sobre a realidade ao mesmo tempo em que atuamos para transformá-la. A formação, dessa forma, é muito mais do que um processo de reflexão e elaboração política, mas – sobretudo – um instrumento da luta dos trabalhadores que nos permitirá avançar na luta de classes.

Somos muitos, de muitos lugares, de muitas cores e juntos somos a REDE DE FORMAÇÃO DA CUT, SOMOS FORTES, SOMOS CUT e venceremos!

Viva os educadores e educadoras militantes da Rede de Formação da CUT!

Viva a Rede de Formação da CUT!

Viva a Formação da CUT!

Viva a Central Única dos Trabalhadores!

Belo Horizonte, Vermelha e de luta, 31 de maio de 2019.